Não é frescura: a ciência explica por que engordamos mesmo comendo alface — e por que isso vai muito além da estética
Vou começar sendo honesta: minhas calças não fecham mais. Aquelas que eu usava há alguns anos, que entravam com folga, hoje não passam do quadril. E não, não é porque eu passei a comer mais. Na verdade, como menos. Mas meu corpo mudou. E se você está passando por algo parecido, precisa saber: não é culpa sua. É biologia.
Quando entramos no climatério, o corpo começa a dar sinais sutis. Ganhamos alguns gramas aqui, outros ali. Nada alarmante. O problema é que esses gramas não vão embora na mesma velocidade que chegaram. Mas é na menopausa que a coisa fica séria. Estudos científicos mostram que, durante a transição menopausal, as mulheres ganham em média 1,5 kg por ano. Ao final desse período, o ganho acumulado pode chegar a 10 kg. Esses dados vêm do SWAN Study e do Healthy Women’s Study, duas das maiores pesquisas longitudinais sobre saúde feminina no mundo.
Mas não é só o número na balança que muda. A gordura visceral — aquela que se acumula na região abdominal — aumenta de 5-8% para 10-15% do peso corporal total. É por isso que você olha no espelho e percebe que a cintura sumiu. A silhueta que era “pera” vira “maçã”. E junto com essa mudança de forma, vem uma queda de cerca de 200 a 250 calorias no metabolismo basal por dia. Isso significa que, mesmo comendo a mesma coisa de sempre — até alface! — você engorda.
Não é só estética — é saúde
Falando assim, parece uma coisa simples: “Ah, engordei um pouco, normal”. Mas não é simples. Essa mudança interfere em como toda a engrenagem do corpo funciona. Se você pegar uma foto sua de cinco anos atrás, vai perceber que, paulatinamente, foi aumentando de volume na região da circunferência abdominal. Sua postura foi mudando. E a gente não se dá conta de como isso é importante e o quanto impacta nossa vida — socialmente, emocionalmente e na saúde de forma geral.
Algumas pacientes desenvolvem resistência à insulina. Outras começam a ter dores articulares porque o peso extra sobrecarrega as articulações. O músculo precisa ser trabalhado de forma diferenciada, porque a perda de massa magra acelera depois dos 50. É uma cascata de efeitos que vai muito além de não caber na calça jeans.
Quando paramos de nos olhar
Hoje quero dividir com vocês algo que percebi em mim mesma — e que vejo todos os dias no consultório. A gente para de se olhar. Não é de uma vez. É aos poucos. Primeiro, você evita o espelho de corpo inteiro. Depois, começa a comprar roupas mais largas para não ter que enfrentar. Evita fotos. Desvia o olhar. E vai se tornando invisível para si mesma.
Isso acontece tanto com quem está engordando — e acha que é “normal da idade” — quanto com quem está emagrecendo com dieta ou com as famosas canetas. Porque o foco vai todo para a balança, para o número, e ninguém olha para o que está acontecendo com a estrutura do corpo. Com o músculo. Com a postura. Com o que sustenta você de pé.
Eu passei por isso. Emagreci, mas algo não estava certo. A barriga continuava ali, a postura tinha mudado, eu não me reconhecia. Foi quando comecei a olhar para o que não estava olhando: as camadas mais profundas. O transverso do abdômen — o músculo que funciona como um espartilho natural do corpo. A cintura pélvica. As costas. Tudo o que a gente ignora porque não aparece na balança.
Comecei a tratar essas camadas com tecnologias associadas — campo magnético, radiofrequência — e percebi algo que não esperava. Não foi só a circunferência que diminuiu. A postura melhorou. A forma de sentar mudou. A forma de andar mudou. Voltei a vestir roupas que estavam encostadas há 10 anos. Mas o mais importante: voltei a me olhar no espelho. E gostei do que vi.
Guiar o olhar para onde não olhávamos
Essa experiência virou um projeto no consultório. Chamamos de Climex Wellness. Não é sobre perder peso. É sobre olhar para o corpo de um jeito que a gente não estava olhando. Tratar em camadas: a gordura, sim, mas também o músculo, a postura, a função. Porque não adianta emagrecer se você continua não se reconhecendo. Não adianta diminuir a barriga se você continua evitando o espelho.
Estamos guiando nossas pacientes a olhar para onde não olhavam. E o que vejo acontecer é simples, mas profundo: elas voltam a se amar. Voltam a se cuidar. Voltam a querer se ver.
A invisibilidade não é destino
As mulheres precisam parar de achar que a invisibilidade após os 50 é normal. Parar de se acostumar com roupas cada vez mais largas. Parar de evitar fotos, espelhos, o próprio reflexo. Isso não é vaidade. É saúde. É qualidade de vida. É longevidade com propósito.
E nem preciso falar sobre o que acontece quando não cuidamos. É só olhar como nossas mães e avós envelheceram. Artrose. Não usam mais shorts. Blusinha sem alça, nem pensar. Qual imagem vem à sua mente quando pensa no corpo da mulher menopausada?
Eu estava ficando igual. E decidi que não seria assim. Que eu voltaria a me olhar. Que eu voltaria a gostar do que vejo. Que eu teria uma longevidade saudável — de corpo, mas também de amor próprio.
Se você parou de se olhar, talvez seja hora de voltar. Não para se cobrar. Para se encontrar de novo.
—
Dra. Isabel Martinez (CRM-SP 115398 | Coren-SP 89562)
Médica | Fundadora da Climex Academy | Criadora do conceito Climex®️
Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica.
Referências: Minhas calças não fecham mais: o que a menopausa faz com o seu corpo (e o que fazer a respeito)
Não é frescura: a ciência explica por que engordamos mesmo comendo alface — e por que isso vai muito além da estética
Vou começar sendo honesta: minhas calças não fecham mais. Aquelas que eu usava há alguns anos, que entravam com folga, hoje não passam do quadril. E não, não é porque eu passei a comer mais. Na verdade, como menos. Mas meu corpo mudou. E se você está passando por algo parecido, precisa saber: não é culpa sua. É biologia.
Quando entramos no climatério, o corpo começa a dar sinais sutis. Ganhamos alguns gramas aqui, outros ali. Nada alarmante. O problema é que esses gramas não vão embora na mesma velocidade que chegaram. Mas é na menopausa que a coisa fica séria. Estudos científicos mostram que, durante a transição menopausal, as mulheres ganham em média 1,5 kg por ano. Ao final desse período, o ganho acumulado pode chegar a 10 kg. Esses dados vêm do SWAN Study e do Healthy Women’s Study, duas das maiores pesquisas longitudinais sobre saúde feminina no mundo.
Mas não é só o número na balança que muda. A gordura visceral — aquela que se acumula na região abdominal — aumenta de 5-8% para 10-15% do peso corporal total. É por isso que você olha no espelho e percebe que a cintura sumiu. A silhueta que era “pera” vira “maçã”. E junto com essa mudança de forma, vem uma queda de cerca de 200 a 250 calorias no metabolismo basal por dia. Isso significa que, mesmo comendo a mesma coisa de sempre — até alface! — você engorda.
Não é só estética — é saúde
Falando assim, parece uma coisa simples: “Ah, engordei um pouco, normal”. Mas não é simples. Essa mudança interfere em como toda a engrenagem do corpo funciona. Se você pegar uma foto sua de cinco anos atrás, vai perceber que, paulatinamente, foi aumentando de volume na região da circunferência abdominal. Sua postura foi mudando. E a gente não se dá conta de como isso é importante e o quanto impacta nossa vida — socialmente, emocionalmente e na saúde de forma geral.
Algumas pacientes desenvolvem resistência à insulina. Outras começam a ter dores articulares porque o peso extra sobrecarrega as articulações. O músculo precisa ser trabalhado de forma diferenciada, porque a perda de massa magra acelera depois dos 50. É uma cascata de efeitos que vai muito além de não caber na calça jeans.
Quando paramos de nos olhar
Hoje quero dividir com vocês algo que percebi em mim mesma — e que vejo todos os dias no consultório. A gente para de se olhar. Não é de uma vez. É aos poucos. Primeiro, você evita o espelho de corpo inteiro. Depois, começa a comprar roupas mais largas para não ter que enfrentar. Evita fotos. Desvia o olhar. E vai se tornando invisível para si mesma.
Isso acontece tanto com quem está engordando — e acha que é “normal da idade” — quanto com quem está emagrecendo com dieta ou com as famosas canetas. Porque o foco vai todo para a balança, para o número, e ninguém olha para o que está acontecendo com a estrutura do corpo. Com o músculo. Com a postura. Com o que sustenta você de pé.
Eu passei por isso. Emagreci, mas algo não estava certo. A barriga continuava ali, a postura tinha mudado, eu não me reconhecia. Foi quando comecei a olhar para o que não estava olhando: as camadas mais profundas. O transverso do abdômen — o músculo que funciona como um espartilho natural do corpo. A cintura pélvica. As costas. Tudo o que a gente ignora porque não aparece na balança.
Comecei a tratar essas camadas com tecnologias associadas — campo magnético, radiofrequência — e percebi algo que não esperava. Não foi só a circunferência que diminuiu. A postura melhorou. A forma de sentar mudou. A forma de andar mudou. Voltei a vestir roupas que estavam encostadas há 10 anos. Mas o mais importante: voltei a me olhar no espelho. E gostei do que vi.
Guiar o olhar para onde não olhávamos
Essa experiência virou um projeto no consultório. Chamamos de Climex Wellness. Não é sobre perder peso. É sobre olhar para o corpo de um jeito que a gente não estava olhando. Tratar em camadas: a gordura, sim, mas também o músculo, a postura, a função. Porque não adianta emagrecer se você continua não se reconhecendo. Não adianta diminuir a barriga se você continua evitando o espelho.
Estamos guiando nossas pacientes a olhar para onde não olhavam. E o que vejo acontecer é simples, mas profundo: elas voltam a se amar. Voltam a se cuidar. Voltam a querer se ver.
A invisibilidade não é destino
As mulheres precisam parar de achar que a invisibilidade após os 50 é normal. Parar de se acostumar com roupas cada vez mais largas. Parar de evitar fotos, espelhos, o próprio reflexo. Isso não é vaidade. É saúde. É qualidade de vida. É longevidade com propósito.
E nem preciso falar sobre o que acontece quando não cuidamos. É só olhar como nossas mães e avós envelheceram. Artrose. Não usam mais shorts. Blusinha sem alça, nem pensar. Qual imagem vem à sua mente quando pensa no corpo da mulher menopausada?
Eu estava ficando igual. E decidi que não seria assim. Que eu voltaria a me olhar. Que eu voltaria a gostar do que vejo. Que eu teria uma longevidade saudável — de corpo, mas também de amor próprio.
Se você parou de se olhar, talvez seja hora de voltar. Não para se cobrar. Para se encontrar de novo.
—
Dra. Isabel Martinez (CRM-SP 115398 | Coren-SP 89562)
Médica | Fundadora da Climex Academy | Criadora do conceito Climex®️
Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica.
Referências:
* British Menopause Society. Menopause: Nutrition and Weight Gain. 2023. (Dados do SWAN Study e Healthy Women’s Study)
* Kapoor E, et al. Weight Gain in Women at Midlife: A Concise Review of the Pathophysiology and Strategies for Management. Mayo Clinic Proceedings. 2017;92(10):1552-1558.
* Davis SR, et al. Understanding weight gain at menopause. Climacteric. 2012;15(5):419-429.
* Wing RR, et al. Weight gain at the time of menopause. Archives of Internal Medicine. 1991;151(1):97-102.
* British Menopause Society. Menopause: Nutrition and Weight Gain. 2023. (Dados do SWAN Study e Healthy Women’s Study)
* Kapoor E, et al. Weight Gain in Women at Midlife: A Concise Review of the Pathophysiology and Strategies for Management. Mayo Clinic Proceedings. 2017;92(10):1552-1558.
* Davis SR, et al. Understanding weight gain at menopause. Climacteric. 2012;15(5):419-429.
* Wing RR, et al. Weight gain at the time of menopause. Archives of Internal Medicine. 1991;151(1):97-102.
