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Menopausa social: quando a mulher começa a sumir, e nem percebe

Eu demorei para perceber. Em algum momento, eu comecei a recusar convites, evitar encontros, diminuir a vida social etc. E eu justificava de um jeito que parecia totalmente normal: “Ah, estou mais velha. É natural não querer socializar tanto”. Só que não era só isso.

Hoje, eu chamo esse fenômeno de menopausa social. Não como um termo médico, mas como uma forma real e humana de descrever algo que muitas mulheres vivem: quando a gente começa a se afastar do mundo aos poucos, sem perceber que está acontecendo.

E o mais curioso é que, na maioria das vezes, não é um isolamento consciente. É um “sumiço silencioso”.

A mulher não pensa “vou me esconder”. Ela só vai fazendo pequenas escolhas que parecem inofensivas, até que viram rotina.

Você começa a preferir ficar em casa. Começa a evitar fotos. Começa a escolher roupas “para disfarçar”. Começa a se sentir desconfortável em reuniões longas. Começa a ter menos paciência. Começa a achar que a energia não é mais a mesma.

E, sem perceber, vai diminuindo a própria presença.

O climatério e a menopausa não mudam apenas o corpo. Eles mexem com a forma como a mulher se enxerga, se sente e se coloca no mundo.

Porque o corpo muda. A pele muda. O cabelo muda. A disposição muda.

E quando isso acontece, é muito comum que a mulher passe a se sentir “menos ela”. Menos confiante. Menos bonita. Menos confortável.

E é aí que mora um dos riscos dessa fase: a mulher começa a se adaptar ao incômodo como se fosse normal. Ela não diz “estou sofrendo”. Ela diz:“ é a idade”,“ é o estresse”, “é a correria”, “é só uma fase.” Até que essa fase vira um modo de viver.

“O climatério e a menopausa não mudam apenas o corpo. Eles mexem com a forma como a mulher se enxerga, se sente e se coloca no mundo”

No consultório, isso aparece de um jeito muito claro. Muitas mulheres chegam querendo tratar algo aparentemente pontual: cabelo caindo ou afinando, flacidez que surge “de repente”, o corpo mudando e as roupas deixando de servir, cansaço que não melhora, uma autoestima que parece ter ido embora sem avisar.

Elas chegam buscando um tratamento. Mas quando a conversa começa, a gente percebe que existe uma camada mais profunda. Porque junto com o incômodo físico, quase sempre existe um incômodo emocional e comportamental: uma redução de vida.

A mulher vai se afastando de coisas que antes eram normais. Estar com amigas, sair para jantar, viajar, se arrumar com prazer, se sentir desejável, se sentir viva.

E o mais importante: muitas nem percebem que isso é isolamento. Só percebem depois, quando alguém coloca luz no dia a dia.

Porque isolamento nem sempre é estar sozinha. Às vezes, é estar cercada de gente, mas não se sentir presente. Será que você vive isso também?

Talvez você nunca tenha chamado de menopausa social. Talvez você nem tenha pensado nisso. Mas se você sente que está “diminuindo” aos poucos, se afastando, evitando, se escondendo, talvez não seja apenas a idade. Talvez seja uma fase que merece atenção, cuidado e um novo olhar.

E eu digo uma coisa: quando a mulher entende o que está acontecendo, ela volta a se enxergar. E quando ela se enxerga, ela volta a viver.

Se você gostou desse tema, me conte. Nas próximas edições, eu quero falar sobre o que acontece com cada área do nosso corpo nessa fase, e como isso impacta a vida real: pele, cabelo, corpo, energia, humor, sono, autoestima e bem-estar.

Vou trazer também o que eu vivenciei como mulher e o que vejo todos os dias no consultório.

Saiba mais: @draisabelmartinez
Dra. Isabel Martinez (CRM-SP 115398 | Coren-SP 89562) Médica, fundadora da Climex Academy e criadora do conceito Climex®️ CEO | Climex®️ | Clínica Martinez®️ | (11) 999207361 | (11) 050938688

Procure sempre seu médico de confiança. Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica. Não constitui diagnóstico nem prescrição.

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