Nascida em Minas Gerais, brasileira migrou para os Estados Unidos e chegou a fazer faxinas antes de se casar com empresário
A influenciadora digital Geise Alves, 35, se autointitula uma “esposa troféu”. O marido, um americano milionário do setor de tecnologia, sustenta as contas, o filho e, claro, a esposa. Já a brasileira cuida da casa, dos filhos, treina e vai ao shopping fazer comprinhas.

“Eu adoro Saint Laurent”, afirma a brasileira nascida na região de Governador Valadares, Minas Gerais, e que há cerca de três anos se casou e vive na Filadélfia, nos Estados Unidos. “Tenho o cartão dele e compro o que quero. Também tenho uma conta só minha, em que ele deposita toda semana, como se fosse um pagamento”, afirma em conversa com GQ Brasil.

As “esposas troféu” são parte de um modelo de relacionamento no qual o homem é inteiramente responsável por sustentar a família. Às mulheres, cabe o papel de cuidar da casa e manter-se bela para agradar o marido e seu círculo social.
O arranjo dentro do relacionamento amoroso se dá por motivos religiosos, financeiros ou por uma divisão de gênero cada vez mais em desuso. Na história de Geise, pesou a questão do dinheiro – e um pouquinho mais. Há cerca de sete anos, ela chegou como turista aos Estados Unidos, mas não voltou e enfrentou o risco de uma possível deportação como uma imigrante ilegal.
O sustento para sobreviver vinha de faxinas em casas de famílias americanas, onde ganhava cerca de 120 dólares por diária. Uma grana razoável, mas descartável após conhecer quem seria o futuro marido que, segundo ele, aconteceu durante um happy hour. Segundo ela, ele sonhava em se aposentar até os 40 anos e, não por acaso, vendeu a empresa para viver só de investimentos após a transação milionária.
O casamento limpou a ficha de Geise com a imigração norte-americana e, ela, que já era mãe do filho de seu primeiro casamento com um brasileiro, engravidou do novo marido americano. O casal decidiu que não fazia mais sentido ela arrumar um emprego. Ela, porém, diz também ter investimentos próprios para não ficar nas mãos do marido.
“Eu vou sacrificar o meu tempo de estar dentro de casa, cuidando dos meus filhos, para ganhar um salário que a minha babá recebe muito mais?”, diz. “As pessoas acham que ser esposa troféu é ser uma mulher burra, sem informação nenhuma, que vai ficar ali dependendo do marido. Você precisa ser tão inteligente quanto ele.”
Em 2025, Geise abriu a rotina nas redes sociais, conquistou mais de 50 mil seguidores no Instagram e, consequentemente, também atraiu críticos. “Vim de uma família muito humilde e muitos resgatam meu passado. Um comentário que me deixou surpresa foi uma pessoa que escreveu: ‘Como pode ser tão rica e se chamar Geise?”

A mineira se sente “imensamente grata” à autonomia conquistada pelas mulheres com o feminismo, mas acredita que, na prática, o buraco se tornou mais embaixo com a intensa jornada dupla. “Hoje, a mulher trabalha fora, paga as contas, ainda cuida da casa, de filho, precisa ser uma boa esposa. Ela fica exausta”, afirma.
“A gente transformou nossa liberdade e ela veio contra nós ao mesmo tempo”, diz. “Tiramos do homem o que ele deveria fazer. Claro que nem todos têm a mesma realidade que tenho, com a sorte de um homem provedor. Porque também não adianta ser um troféu se o seu marido não tem dinheiro nem para pagar a sua unha.”
A rotina desperta curiosidade de seguidoras interessadas em como virar uma esposa troféu. “Existe uma pressão tão grande para cima das mulheres, que eu acho que agora está vindo esse movimento mesmo de esposa troféu. Não quero trabalhar, quero ficar dentro de casa fazendo bolo”, argumenta.

Acusações de interesse? Ela também afirma receber. “A vida é feita de interesse. Tudo é interesse. Depende muito de qual significado se quer dar para essa palavra”, rebate. “Mas nada disso [de mulher troféu] adianta sem um relacionamento onde não houver respeito e amor como o meu.”
