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Por Dra. Juliana Sabadini: evolução no TEA e TDAH exige tempo, método e constância. - PeoplePop

Por Dra. Juliana Sabadini: evolução no TEA e TDAH exige tempo, método e constância.

 

O aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ampliou o debate sobre desenvolvimento infantil e tratamento. Em meio a informações que circulam com rapidez, a médica com atuação em neuropediatria com foco no neurodesenvolvimento, Dra. Juliana Sabadini, chama atenção para um ponto que considera central: o diagnóstico é apenas o início do cuidado.

Segundo Juliana, o prognóstico de uma criança não é determinado exclusivamente pelo diagnóstico, mas pela combinação entre acompanhamento médico adequado e o contexto em que ela está inserida. O desenvolvimento infantil é influenciado diariamente por fatores como organização da rotina, qualidade do sono, alimentação, realização das terapias necessárias e participação ativa da família.

Na sua prática clínica, ela observa que o sono insuficiente ou irregular pode intensificar desatenção, irritabilidade e instabilidade emocional. O uso excessivo de telas, especialmente sem limites e supervisão, tende a interferir na interação social e em habilidades cognitivas importantes para o aprendizado. A alimentação também exerce impacto relevante, influenciando energia, comportamento e capacidade de concentração.

Para a médica, rotina não significa rigidez, mas previsibilidade. Crianças com TEA e TDAH costumam se beneficiar de ambientes estruturados, com limites consistentes e expectativas claras. A organização do cotidiano contribui para maior segurança emocional e melhor adaptação comportamental.

Ela também esclarece que, em situações específicas, pode haver indicação de suplementação infantil, sempre após avaliação individualizada e criteriosa. Da mesma forma, a indicação de terapias deve considerar as necessidades específicas de cada criança, priorizando abordagens com respaldo científico e objetivos bem definidos, a fim de contribuir com o desenvolvimento da criança.

Em relação à medicação, a doutora explica que, quando indicada, pode trazer benefícios importantes para a funcionalidade e qualidade de vida. No entanto, faz parte de um plano terapêutico mais amplo. Não substitui intervenções direcionadas, acompanhamento contínuo e o envolvimento da família no processo de cuidado.

A melhora no TEA e no TDAH não acontece de forma imediata; ela é construída ao longo do tratamento, com acompanhamento consistente e ajustes estratégicos sempre que necessário. Quando a família compreende que evolução é um processo e não resposta rápida, diminui a ansiedade por soluções instantâneas e aumenta o compromisso com aquilo que realmente faz diferença: constância e um ambiente que sustente as orientações propostas. É essa combinação que permite progresso real e duradouro.
Ao final, a Dra. Juliana Sabadini, médica com atuação em neuropediatria e dedicada ao neurodesenvolvimento infantil, que realiza atendimentos presenciais e on-line, reforça:
“O diagnóstico não define o futuro de uma criança. O que realmente faz diferença é a condução adequada do tratamento, com constância, orientação e participação ativa da família.”